sábado, 1 de fevereiro de 2014

Estudar em Harvard, uma das melhores instituições de ensino superior do mundo parecia impossível para estudantes pobres, filhos de imigrantes, com mães empregadas domésticas, pais solteiros e sem condições de bancar nem um centavo para a faculdade. Mas, para um grupo de 15 estudantes com perfis semelhantes a esses, com muita dedicação, o sonho se tornou possível.

Estudantes notáveis, não apenas com notas altas, mas experiências de vida relevantes, como participação ativa na comunidade com projetos sociais, ou histórias familiares atípicas, eles conseguiram convencer os selecionadores de que mereciam uma das disputadas cadeiras na famosa universidade americana. E mais, que valiam o investimento de bolsas de estudo.
A convite do escritório brasileiro de Harvard, esse grupo veio ao Brasil para mostrar a 15 alunos do ensino médio brasileiro, com alto desempenho acadêmico e bolsistas de escolas particulares, que estudar em Harvard com bolsa de estudos é um sonho possível.
Pela segunda vez, o escritório da instituição no País desenvolve um programa de mentoria e aquisição de linguagem (Mentoring and Language Acquisition in Brazil, ou MLab, em inglês). A primeira edição foi realizada em janeiro de 2012, apenas presencialmente e em São Paulo. A segunda começou no segundo semestre de 2013, com conversas por e-mail e Skype entre brasileiros e americanos e deve se estender por 2014, ainda sem data de término.
Nas últimas três semanas, os estudantes de Harvard estiveram no Brasil. Passaram por Porto Alegre, para aprender português, e por São Paulo, onde encontraram os brasileiros.
No programa, cada americano foi padrinho de um brasileiro e teve a tarefa de treinar inglês com o colega e ensinar sobre o sistema de Harvard.
Segundo o diretor do escritório de Harvard no Brasil, Jason Dyett, há interesse da instituição em ter mais diversidade cultural em seu câmpus e atrair mais brasileiros. Como a maior dificuldade dos brasileiros é o idioma, o escritório decidiu fazer o programa em aquisição de idioma. "O número de brasileiros em Harvard cresceu, mas o que a universidade quer é a diversidade do aluno brasileiro que estudou no sistema de ensino do País, que cursou escola pública, e não só em colégios americanos e britânicos aqui."
Dyett afirma que o objetivo do programa é mostrar aos alunos do Brasil que é possível estudar em uma instituição americana, seja em Harvard ou em outra instituição. "É um programa caro para Harvard, mas, se ao menos um desses alunos passar em uma universidade boa com bolsa, nos Estados Unidos ou no Brasil, ele se tornará muito barato."
Encontro. Entre os intercambistas, as dificuldades de se expressar em idiomas diferentes, tanto de brasileiros quanto de americanos, foram superadas pela vontade de se comunicar e aprender uma cultura diferente.
No Brasil, os americanos descobriram as diferenças entre as culturas gaúcha, paulista e carioca. Conheceram alimentos típicos, como pão de queijo, chimarrão e o tradicional churrasco gaúcho. Andaram de ônibus e metrô. Foram a museus e pontos turísticos de São Paulo.
"O Brasil se assemelha muito com o país dos meus pais, El Salvador. Quero vir aqui para estudar ou trabalhar", afirmou Brenda Marisol Serpas, de 21 anos, que estuda Letras em Harvard, em um português quase sem sotaque.
Como ela, outros estudantes de Harvard dividiram o tempo que passaram no País para explicar aos colegas como participar do processo de seleção das universidades americanas e conseguir bolsas. "Até hoje não sei por que passei em Harvard e ainda consegui bolsa. Acho que foi porque eu sou a primeira pessoa da minha família, que é de imigrantes italianos, a ir para a faculdade", disse David Coletti, de 19 anos, ao colega brasileiro Guilherme Quadro Calanzans, de 16, aluno do Colégio Bandeirantes e bolsista do Ismart.
Perto deles, Michael Gellman, de 19 anos, tentava convencer Marciel Silva de Almeida, de 16, do 3.º ano do ensino médio do Colégio Bandeirantes e também bolsista do Ismart, a tentar aplicar para Harvard no fim do ano. "Acho que ele tem toda a condição de passar", afirmou Gellman. Já Almeida, que comemorava o primeiro dia da mãe no emprego de costureira, tentava disfarçar a insegurança em prestar para uma universidade estrangeira. "Achava e ainda acho difícil passar, mas o Michael está me mostrando que, se eu quiser, posso conseguir."

0 comentários:

Postar um comentário